Sessão Abutre (1)

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“O abutre, a corrente, a rocha, e o orgulho de sofrer sem um lamento.”

– Shelley

Esta sessão tem como premissa os momentos de terror, medo, angústia e paralisia criativa que nos atingem sem aviso, almas criadoras. Pretende-se aqui discutir momentos e episódios intrigantes envolvendo a desistência, a falta de sentido e os por quês avassaladores na vida das pessoas que consumam atividades do meio artístico.

Pretende-se trazer informações, contemplações e abrigo nos dias de cinza atitude. Mas também providenciar conforto intelectual para se superar os instantes melancólicos.

O abutre rodeia a todos nós, mas só uns poucos o enxotam com coragem e virtude.

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As vezes as grandes obras nos parecem destorcidas e diluídas , sem conforto, nos pegamos em desespero. Nesse momento estamos a mercê de nossa própria sombra e talvez daí derive a poesia;

“Só então se reconheceu a presença da Morte Rubra. Viera como um ladrão na noite. E, um a um, caíram os foliões nos ensaguentados salões da orgia, e morreram, conservando a mesma desesperada postura da queda. E a vida do relógio de ébano extinguiu-se  simultaneamente com a do último dos foliões. E as chamas dos trípodes apagaram-se. E a Escuridão, a Ruína e a Morte Rubra estenderam seu domínio ilimitado sobre tudo.”

A máscara da morte rubra – Edgar Allan Poe

Poe sempre usou de seus problemas internos, para externalizar com misterioso deleite a ficção da morte, da dor e da insanidade. Mas mesmo em títulos tão dolorosos encontramos afago e conforto por nos passar revelações sinceras da arte da literatura; Não nos importa se não é real, tudo que ameniza a dor da realidade é abraçado com prazer.

“A sorte da Beleza é a de encontrar sua realização não na paixão, mas na morte por amor: a beleza retrai-se da luz do mundo e desliza para o abraço das potências da noite, através daquela única forma de união possível, que é a morte”

– Umberto Eco

Não confunda “dor da realidade” com “escapismo” e “covardia”. A arte vem a ser o bálsamo para a dor, não na fuga, mas sim na batalha. Ter a motivação adequada a cada mindset pode gerar um artista com uma rotina mais saudável; e quando menciono saudável, digo que pode ser uma rotina completamente inversa a um padrão social comum, cabe a cada indivíduo encontrar o seu. Porém buscar no passado ou nas escolas de pensamento oque poderia ser o seu modo de pensar, pode ajudar. A filosofia empregou tempo e raciocínio em cima das motivações e medos humanos, dar uma chance a esta disciplina pode resolver um problema intelectual que te importuna. Esta aula do Professor Clóvis pode ser uma boa introdução aos modelos raízes da filosofia da morte.

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Após verificar os diversos autores e filosofias que discutem o medo a morte, tomar uma atitude prática pode transformar a moral da qual você trabalha. Hic et nunc – Uma expressão latina que pode ser traduzida como:  Aqui e agora!  Diferente do imediatismo das propagandas, dos imprudentes e do consumo de massa, Hic et nunc é o imediatismo de fazer acontecer, de produzir com afinco e trabalhar com seriedade.

“Mas a arte é um fazer, que se faz aqui e agora, não ontem ou amanhã; e faz objetos, que o tempo não traga e que permanecem presentes.”

– Argan

Saber o motivo da sua angústia é melhor do que se afogar num dilema invisível.

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As vezes apenas produzir não basta, você precisa se entregar aos momentos de contemplação, repousar sua consciência no que é belo.

A Beleza Importa é um excelente documentário  do filósofo Roger Scruton que emprega seu tempo e raciocínio em cima das virtudes da arte, arquitetura e música, aplicando um cenário de contraste com aquilo que o subjetivismo clama pelo feio.

Sublime
Quase por natureza nossa alma eleva-se diante daquilo que é verdadeiramente sublime e, presa de uma orgulhosa exaltação, enche-se de uma alegria soberba, como se ela mesma tivesse gerado aquilo que acaba de ouvir. Assim quando um leitor culto e esperto lê ou ouve muitas vezes alguma coisa e não experimenta  por dentro nada de grande, nenhuma reflexão mais rica do que a percepção  literal do discurso, mas, ao contrário, percebe que ao ser lida e relida tal obra perde o sentido , então ele nao se encontra diante do verdadeiro  sublime,  mas diante de algo que dura apenas o espaço da leitura ou da audição.Porque a verdadeira grandeza é aquela que enriquece os pensamentos, aquela que é dificil, aliás, impossível, contestar, aquela que nos deixa uma lembrança duradoura e indelével. Em suma, a beleza autenticamente sublime é aquela que agrada a todos

– Umberto Eco

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1 comentário

  1. zombiesuke · fevereiro 25, 2016

    Republicou isso em Lettersmith.

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